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O segredo do brilho: por que algumas roupas brilham tanto na luz?

  • há 7 horas
  • 3 min de leitura

O Carnaval chegou! Então vamos falar de brilho?


Você já reparou como algumas roupas parecem se transformar quando bate uma luz? Às vezes, a peça parece comum no cabide, discreta no provador, quase “normal”. Mas basta sair na rua, entrar num ambiente iluminado ou tirar uma foto com flash para ela ganhar vida: o tecido acende, reflete, brilha, pisca e chama atenção como se tivesse sido feito para isso.



E a parte mais curiosa é que esse efeito nem sempre tem a ver com glitter. Na verdade, muitas vezes o brilho vem do próprio tecido — e o motivo é uma mistura de ciência, tecnologia têxtil e escolhas de acabamento.


De forma simples: tecidos brilham quando conseguem refletir a luz de maneira mais concentrada, quase como pequenos espelhos. Quanto mais lisa, contínua ou metalizada for a superfície, mais a luz “volta” para os nossos olhos. Tecidos foscos, por outro lado, têm superfícies que espalham a luz em várias direções, criando um aspecto mais opaco e suave. É como comparar uma parede pintada com tinta fosca e uma superfície envernizada: ambas podem ter a mesma cor, mas o resultado visual é completamente diferente.


Esse brilho pode nascer já na fibra. Alguns materiais têm naturalmente uma aparência mais luminosa, como a seda e o acetato, e também fibras sintéticas como o poliéster e a poliamida — especialmente quando são produzidas com fios mais regulares e superfícies mais lisas. Mas aqui entra um detalhe que surpreende muita gente: duas peças podem ser “100% poliéster” e ainda assim uma brilhar muito e a outra quase nada. Isso acontece porque o brilho não depende apenas do nome da fibra, e sim de como ela foi fabricada, texturizada e construída dentro do tecido.



Em muitos casos, o brilho vem da forma como o fio é tecido. Um exemplo clássico é o cetim. O cetim não é exatamente um “tipo de fibra”, e sim um tipo de construção têxtil que cria uma superfície mais contínua, com menos interrupções. Isso faz com que a luz reflita de maneira mais uniforme, gerando aquele brilho elegante, sofisticado e “escorrido”, que muita gente associa automaticamente a luxo. Por isso o cetim é tão usado em moda festa, lingerie, vestidos de casamento, camisas e peças que precisam de impacto sem exagero.


Mas quando a intenção é brilhar de verdade — no nível “não tem como passar despercebido” — entram os tecidos feitos para refletir luz com força. O lamê é um dos mais emblemáticos: ele tem aquele efeito metalizado intenso, quase como se fosse uma folha de metal flexível. É o tipo de tecido que reage instantaneamente à luz, principalmente em ambientes noturnos, com LED, palco ou iluminação direta.



O lurex, por sua vez, cria brilho a partir de fios metalizados misturados ao tecido, podendo ser discreto ou super chamativo dependendo da quantidade e da construção.



Já o paetê é um caso ainda mais interessante, porque ele não brilha apenas por ser “bonito”: ele brilha porque cada paetê funciona como um mini espelho rígido. E como o corpo se move o tempo todo, o brilho do paetê “pisca”, criando um efeito vivo e dinâmico.



Existe ainda o brilho do tipo glossy, aquele que parece molhado, espelhado e bem moderno. Esse efeito aparece muito em tecidos resinados, cirrê e vinil, onde a superfície ganha uma camada que reflete luz como se fosse uma película. É um brilho diferente do cetim e diferente do paetê: ele é mais contínuo, mais dramático e com uma estética mais urbana ou futurista.



E se você já teve a sensação de que uma roupa brilha muito mais em foto do que ao vivo, saiba que isso é real. Câmeras e flashes captam reflexos pontuais com mais intensidade do que o olho humano em luz ambiente. Por isso, tecidos metalizados, paetês e lurex podem parecer moderados no dia a dia, mas explodem em brilho no celular, no Instagram e em qualquer iluminação direta. Isso explica por que tantas peças brilhantes são queridinhas de editoriais, eventos, Carnaval e shows: elas “funcionam” visualmente em movimento e em registro.



E falando em Carnaval, não é coincidência que o brilho seja praticamente um símbolo da festa. O Carnaval é movimento, multidão, luz, suor, energia e excesso — tudo aquilo que faz tecidos brilhantes se destacarem. O brilho comunica instantaneamente. Ele é quase uma linguagem visual: em meio a milhares de pessoas, uma peça metalizada, um paetê bem posicionado ou um lurex bem trabalhado cria identidade, impacto e presença.


No fim, entender por que algumas roupas brilham tanto é perceber que esse efeito não é só estética: é tecnologia têxtil aplicada à emoção. E depois que você aprende isso, nunca mais olha para um tecido brilhante do mesmo jeito — porque você começa a enxergar o que está por trás: fibra, estrutura, acabamento e intenção.

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Moda de rua

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