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Entre Moda, Espaço e Arte: a trajetória multidisciplinar de Décio Valadares

  • há 2 horas
  • 5 min de leitura

Em um mercado criativo cada vez mais dinâmico, as fronteiras entre áreas se tornam mais fluidas — e, para alguns profissionais, essa travessia é não apenas possível, mas necessária. É o caso de Décio Valadares, ex-aluno do fundador do blog Versi Têxtil, cuja trajetória atravessa o Design de Moda, o Design de Interiores e, atualmente, a Arquitetura e as Artes Visuais.


Mais do que uma soma de formações, sua caminhada revela um pensamento de projeto centrado na arte como motor criativo e na convicção de que o conhecimento não deve ser limitado por um único caminho.


A moda é a primeira linguagem humana. Não sabemos nada sobre as pessoas que cruzamos na rua, a única coisa que identificamos uns nos outros são nossas vestes, nossa indumentária. - Afirma Dede Valadares.

Foto: Décio Valadares / Acervo Pessoal
Foto: Décio Valadares / Acervo Pessoal

A arte como fio condutor


Ao olhar para sua trajetória, Dede identifica um ponto de conexão que talvez não estivesse tão claro no início: a Arte.


Para ele, independentemente da área — moda, interiores ou arquitetura — existe uma demanda intrínseca por criatividade. E é na arte que ele encontra repertório, provocação e inspiração. A visita a uma exposição, o contato com um artista ou uma obra são estímulos que potencializam seu processo criativo e ampliam suas soluções projetuais.


Se existe um fio condutor que atravessa seus projetos, ele é claro: tudo está voltado para a dimensão humana. A escala do corpo, as necessidades do indivíduo e a experiência do usuário são referências centrais em qualquer criação.


Como ele mesmo afirma, o mesmo braço que define a medida de uma manga é o que aciona a maçaneta para entrar em um espaço. Moda e arquitetura, nesse sentido, dialogam a partir da mesma matriz: o corpo humano.

Foto: Curso de Modelagem com Jum Nakao em São Paulo / Acervo Pessoal
Foto: Curso de Modelagem com Jum Nakao em São Paulo / Acervo Pessoal

Quanto mais, melhor!


A ampliação de sua formação não foi um movimento impulsivo, mas resultado das experiências vividas ao longo da prática profissional. O ponto de virada aconteceu durante o período de isolamento da pandemia. Ao deixar o Rio de Janeiro e retornar ao interior de Minas Gerais, iniciou o curso de Design de Interiores enquanto atuava como diretor de departamento na Secretaria de Cultura.


Foi ali que compreendeu que não queria — e talvez não pudesse — parar de estudar. Essa decisão marca uma característica essencial do profissional contemporâneo: a disposição permanente para aprender e transitar entre campos.


O pensamento de coleção e o pensamento de projeto


Um dos paralelos mais interessantes trazidos por Dede Valadares é a relação entre o pensamento de coleção, na moda, e o pensamento de projeto, na arquitetura e nos interiores.


Na moda, as peças pertencem a uma mesma narrativa. Nos projetos arquitetônicos, conta-se uma história por meio dos elementos que compõem o espaço. Em ambos os casos, trata-se de identidade. De traduzir visualmente quem é o cliente, quais são seus valores, suas referências e sua forma de viver.


Essa lógica evidencia como as áreas não apenas se comunicam, mas se complementam. Mesmo quando atuam de maneira autônoma, enriquecem-se quando cruzadas.


Um exemplo prático dessa intersecção ocorreu quando, atuando na área cultural, Décio desenvolveu uniformes para a banda de música local. Ainda que não estivesse formalmente no campo da moda naquele momento, foi o Design que sustentou o sucesso do projeto.


Foto: Produções de Moda por Dede Valadares / Acervo Pessoal
Foto: Produções de Moda por Dede Valadares / Acervo Pessoal

Artes Visuais: liberdade e rigor


O estudo das Artes Visuais ampliou seu universo criativo e trouxe novos nomes, referências e elementos para solucionar demandas projetuais. Para ele, a arte está presente em todas as etapas do processo: como ponto de partida conceitual, como repertório estético e como ferramenta de experimentação.


O contato com a arte amplia a liberdade criativa — mas não elimina o rigor. Pelo contrário: a qualidade do que é produzido depende do equilíbrio entre experimentação e precisão técnica.


Não caber em uma única “caixa”


Assumir uma trajetória híbrida é desafiador. O mercado ainda tende a categorizar profissionais em nichos bem definidos. No entanto, a principal vantagem de não se limitar a uma única área é a ampliação de repertório.


Antes, seu olhar estava voltado prioritariamente para grandes criadores da moda. Hoje, ele transita com naturalidade entre referências da arquitetura, das artes plásticas e do design. Esse repertório expandido fortalece sua argumentação, sua segurança e sua capacidade de propor soluções mais complexas.


Sobre o contexto regional, ele reconhece que viver experiências em outros estados do Sudeste foi determinante para ampliar seu protagonismo profissional — ainda que Minas Gerais ofereça um cenário promissor para atuações híbridas.


Foto: Curso de Imagem de Moda com Dudu Bertolini / Acervo Pessoal
Foto: Curso de Imagem de Moda com Dudu Bertolini / Acervo Pessoal

A importância da formação acadêmica e da tecnologia têxtil


Décio é enfático ao afirmar que foi a formação acadêmica que transformou sua visão de mundo. O ambiente universitário modifica trajetórias e amplia perspectivas culturais.


Nesse processo, o contato com professores que estimulavam uma visão ampla do design foi fundamental. Durante seu Trabalho de Conclusão de Curso, teve orientação direta na escolha e compreensão dos tecidos da coleção — experiência que refinou seu entendimento sobre matéria, estrutura e construção.


O ensino de tecnologia têxtil, segundo ele, impactou profundamente seu processo criativo na moda. Com domínio técnico, é possível unir invenção e viabilidade construtiva — criatividade e estrutura.


Ainda assim, acredita que a formação tradicional precisa aproximar mais teoria e prática para preparar melhor o profissional contemporâneo, que atua de maneira cada vez mais transversal.


O futuro é interdisciplinar?


Décio não afirma categoricamente que o design se tornará necessariamente interdisciplinar. Mas acredita que quanto mais ampla for a formação e o conhecimento do aluno, mais preparado ele estará para o mercado.


Seu conselho para jovens designers é direto: se há interesse por mais de uma área, busquem. Quanto antes ampliarem seus caminhos, melhor. Conhecimento nunca é excesso — é ferramenta.


Atualmente, mesmo ainda em formação em Arquitetura e Artes Plásticas, ele já percebe uma evolução concreta em sua atuação. Já está envolvido profissionalmente com demandas de Design de Interiores e Decoração e, paralelamente, em conversa com artistas plásticos para futuros trabalhos previstos para 2026.


Esse movimento não apenas sinaliza crescimento, mas evidencia uma transição sólida para uma atuação cada vez mais integrada entre espaço, arte e identidade. Segundo ele, trata-se de uma evolução profissional intensa e extremamente significativa.


Foto: Clientes de Dede Valadares / Acervo Pessoal
Foto: Clientes de Dede Valadares / Acervo Pessoal

Um mercado estético criativo em expansão


A trajetória de Décio Valadares amplia nossa percepção sobre os caminhos possíveis dentro do mercado estético criativo. Ela mostra que moda, arquitetura, interiores e arte não são territórios isolados, mas campos que podem dialogar a partir de um mesmo eixo: a experiência humana.


Em tempos em que o profissional precisa ser técnico, sensível e estrategista ao mesmo tempo, histórias como essa revelam que a especialização pode coexistir com a multiplicidade — e que o verdadeiro diferencial talvez esteja justamente na capacidade de conectar saberes.


No fim, mais do que mudar de área, trata-se de expandir visão. E, sobretudo, de nunca parar de aprender.

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